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Uma das coisas que mais me impressionaram quando visitei Roma foi ficar “cara a cara” com o Moisés, esculpido por Miguel Angelo. É incrivel como um artista pode, em um bloco de mármore, “dar vida” a um personagem. Parece que aquele bloco vai se levantar e sair andando a qualquer momento. É algo realmente impressionante. Quem vai a Roma não pode deixar de visitar a Igreja de San Pietro in vincola, onde está a escultura.

A lenda de que o próprio Miguel Angelo teria, ao conclui-la, gritado “Parla” (Fala!) pode bem ser verdade. Ela só falta falar…

Segundo Ernest Fischer, no seu livro “A necessidade da arte” (capítulo II), esta obra não só personificava o ideal do homem do Renascimento (“a corporificação em pedra de uma nova personalidade consciente de si mesma”), como também se apresentava como um repto para que a sociedade de então encarnasse esse ideal – no fundo, o mesmo desejo de Moisés, ao trazer as tábuas da lei que deveriam reformar a sociedade do seu tempo.

A beleza é a única coisa contra a qual a força do tempo é vã. As filosofias se desmancham como areia, as crenças sucedem-se uma após a outra, mas o que é belo é uma alegria para qualquer época; e é algo que pertence a toda a humanidade para sempre. (Oscar Wilde)