Quem me chamou a atenção para a obra de Pablo Neruda foi, por incrível que pareça, a minha musa cantante dos anos 60 e 70, Joan Baez, e que ainda hoje permanece com a mesma vitalidade e os mesmos princípios. Amo esta moça!

 

 

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Extraordinária cantora de folk, ela esteve presente em Woodstock e também nos movimentos contra a Guerra do Vietnã. Aproximou-se da música latino-americana e gravou composições de Violeta Parra, Villa-Lobos (sua interpretação das Bachianas 5 é algo sensacional), entre outros.

No disco Gracias a la vida, há uma faixa intitulada No nos moverán. É uma canção de protesto, como muitas que marcaram a minha geração. E ela inicia declamando um trecho de uma parte do poema de Neruda Alturas de Macchu Picchu.

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Abaixo, o trecho do poema. Em cor, o trecho que ela declama.

PABLO NERUDA

Alturas de Macchu Picchu

Sobe a nascer comigo, irmão
Dê-me a mão desde a profunda
zona de tua dor disseminada.
Não voltarás do fundo dos  rochedos.
Não voltarás do tempo subterrâneo.
Não voltará tua voz endurecida
Não voltarão teus olhos perfurados.
Olhe-me do fundo da terra,   
lavrador, tecelão, pastor calado:
domador de lhamas tutelares:
pedreiro por andaimes desafiado:
Aguadeiro das lágrimas andinas:
Joalheiro dos dedos machucados:
Agricultor trepidando na semente:
Oleiro em sua argila derramado:
Traga ao cálice desta nova vida
Vossas velhas dores enterradas.
Mostra-me vosso sangue e vosso sulco
diga-me: aqui fui castigado,
porque a jóia não brilhou, ou a terra
não entregou a tempo a pedra ou o grão
assinala-me a pedra em que caístes      

e a madeira em que os crucificaram,
acenda-me as velhas pedras,
as velhas lâmpadas, os látegos batidos
através de séculos nas chagas     

e os machados de brilho ensangüentado.
Eu venho falar por vossa boca morta.

Através da terra junte todos
os silenciosos lábios derramados
e do fundo fale-me toda esta longa noite
como se eu estivesse com vós ancorado
conte-me tudo, cadeia a cadeia,
elo por elo, e passo a passo,
afie as lâminas que guardaste,
coloque-as em meu peito e em minha mão,
como um rio de raios amarelos,
como um rio de tigres enterrados,
e deixa-me chorar, horas, dias, anos,
idades cegas, séculos siderais.

Dê-me o silêncio, a água, a esperança.

Dê-me a luta, o ferro, os vulcões.

Traga a mim os corpos como ímãs.      

Acuda minhas veias e minha boca.

Fale por minhas palavras e por meu sangue.

E aqui no youtube vocês podem ouvir a belíssima interpretação dela:Image

http://www.youtube.com/watch?v=Hkx0SH1G8BU

 

E já que falamos na minha musa, que tal ouvi-la cantando, de Bob Dylan, Blowing Imagein the wind?

Está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=IlV4Hhhy_ng&feature=related

 

 

 

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E aqui, para completar por hoje, ela e Mercedes Sosa cantam Gracias a la vida.

Imperdível!

http://www.youtube.com/watch?v=rMuTXcf3-6A