É a época dos indignados. Não há dúvida. Recebi e-mail de minha colega de faculdade e grande amiga Maria José. Indignada, e com toda a razão, com o que viu em Ouro Preto. Vejam o texto dela, abaixo.

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Estive lá em fevereiro ou março e fui “dar uma espiada” na Igreja de S. Francisco. Já estava “fula” ( é exatamente assim que me sinto lá, qdo vejo algo fora do lugar) com várias muretas coloniais caídas pelas calçadas e a quantidade inacreditável de fios, em alguns lugares até mesmo impedindo uma foto, que correm muito baixo pelas ruas históricas. Algo impensável em cidades-monumento, tombadas, Patrimônio da Humanidade e etc e tal. Devem ser das novas tecnologias, Net e não sei mais o que.
Mas estava falando de S. Francisco, Igreja que eu admiro tanto, desde os velhos tempos de Sacrè -Coeur e Festivais de Inverno e que vi, cheia de orgulho, em um enorme Banner em Paris, na porta do Petit ou Grand Palais anunciando uma exposição sobre o ouro das Américas em 2000.Suas torres estavam negras de lodo ( segundo o Sr da recepção, “esta pedra é assim mesmo, vive preta…”); as paredes sem pintura, e o jardim, cruzes! Não havia jardim. Era mato e areia. Suas paredes, no interior cheias de infiltrações e a chuva é desculpa para tudo, menos para o jardim, que poderia, se existisse, ter se beneficiado com ela.

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Agora, o pior mesmo são as favelas,ou bairros operários, ou seja lá o que for, subindo, ou melhor, cobrindo todos as colinas em redor. Não por serem pobres, poderiam ser mansões que o resultado seria o mesmo. Sei que o povo precisa de moradia, estar perto do seu local de trabalho, mas no caso de uma cidade como Ouro Preto, como é que a prefeitura de lá ou o gov. do Estado, tão empenhado na propaganda da Estrada Real, não providenciou desde o princípio casas populares em locais que não interferissem no magnífico e único Barroco de OP???
Dá para imaginar Carcassone e outras cidades do tipo invadidas por caminhões, casebres, automóveis, mansões? E não me digam que não é a mesma coisa que eu fico mais furiosa ainda.
A cidade estava vazia e era feriado, não me lembro de tê-la visto assim tão vazia…e este é um outro ponto a ser considerado; a cidade que atrai turistas tem empregos, gera renda, uma vida melhor para quem vive lá.
As outras Igrejas estavam mais ou menos do mesmo jeito.

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(todas as fotos de RMF)