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O que teria levado este rapaz de 24 anos a entrar num cinema e sair atirando a torto e a direito, matando 12 pessoas e ferindo um punhado de outras?

A notícia correu o mundo na semana passada e já surgiram dezenas de “interpretações” a respeito.

Triste coincidência: o fato ocorreu perto, muito perto de uma escola onde ocorreu um massacre semelhante há treze anos passados: Columbine. Quem ainda não viu o filme feito pelo Michael Moore, devia ver…

Li a notícia no portal Terra, e estes trechos me chamaram muito a atenção:

O agressor só não matou mais pessoas porque uma de suas armas travou, informou o jornal The Washington Post. Holmes usou um fuzil AR-15, uma escopeta Remington e uma pistola automática Glock. Seu arsenal incluía mais de 3 mil balas para fuzil, 3 mil para duas pistolas Glock e 300 para uma escopeta.

Além disso, a polícia precisou, com a ajuda de um robô, realizar uma “limpeza” em seu apartamento repleto de explosivos. Especialistas explicaram que o robô tinha sido usado para cortar o fio que impedia a entrada no apartamento, onde havia detonadores, recipientes com combustível e substâncias não identificadas arranjadas de modo a provocar explosão ou incêndio.

Segundo Dan Oates, chefe de polícia de Aurora, “o apartamento foi armado para matar a primeira pessoa que entrasse nele, com um monte de cabos, recipientes cheios de munições, recipientes cheios de líquidos”.

Por estes dias, na comunidade de História, do Orkut, a questão veio à tona. Dei um palpite lá, baseado num texto do grande historiador Eric Hobsbawm, que refletia, em 1994, sobre a barbarização que estava se implantando no mundo. E ele acredita que isso se devia à ruptura e colapso dos sistemas de regras e comportamento moral pelos quais todas as sociedades controlam as relações entre seus membros e, em menor extensão, entre seus membros e os de outras sociedades. 

E comentando Michael Ignatieff ele afirma que essa barbárie se manifesta principalmente na ação de “rapazes desenraizados entre a puberdade e o casamento, para os quais não existem mais regras e limites de comportamento aceitos ou efetivos.”

E Hobsbawm acredita que esse declínio da civilidade e crescimento da barbárie se tornarão maiores e “o que torna as coisas piores, o que sem dúvida as tornará piores no futuro, é o constante desmantelamento das defesas que a civilização do Iluminismo havia erigido contra a barbárie.[…] O pior é que passamos a nos habituar ao desumano. Aprendemos a tolerar o intolerável.”

 

Acredito que nos Estados Unidos este processo é mais acentuado, graças à “cultura do rifle”, à ideia, tão repetidamente colocada nos filmes e nas séries de televisão, de que tudo se resolve “na bala”.

Alguem mais tem algo a dizer?